O que quero de ti, meu querido (ano novo)❤

Muitos dirão que o tempo dos desejos de ano novo já expirou; que a meio do primeiro mês já é tarde de mais. Lembra-me a discussão de até quando é aceitável desejar “Feliz Ano Novo” aos outros… por mim até quando nos sentirmos em modo de recomeço. E eu ainda me sinto em pleno processo de balanço do ano velho e de sonhar um novo capítulo.

Talvez o fato de ter visto o meu ambicionado final de ano tranquilo e em auto-reflexão ser bruscamente interrompido por um estúpido acidente, e por ter iniciado a primeira semana de 2022 em modo defensivo contra o intruso SARS-CoV II que resolveu rondar muito perto, me faça sentir que o processo de transição ficou suspenso. Apetece-me ainda não ter começado o tal “livro em branco” do novo ano. Não gosto de ver as primeiras páginas de um qualquer caderno rasuradas e rabiscadas de palavrões!

O “estúpido acidente” vai valer-me uma cirurgia reconstrutiva do ligamento cruzado anterior do joelho direito, seguida de 6 meses de recuperação. Estou convicta de conseguir fazer isto em menos tempo, mas isso é provavelmente a minha positividade a querer muito. Pelo menos já sei qual é o caminho e estou naturalmemte desejosa de o começar. Maior desafio que o do desconforto atual é a inquietação de me saber altamente condicionada para as atividades que me equilibram: a dança, corrida, longas caminhadas e “bicho-carpintancice” habitual. Estes são os escapes e rotinas que me equilibram e o desafio será agora substituí-los por outros prazeres que me sejam permitidos, pelo menos até ser Verão e poder mergulhar no mar e estender-me ao sol!

Depois temos esta história da Pandemia sem fim à vista. Verdade que a cada vaga vemos um bocadinho mais de “luz ao fundo do túnel” mas todos nos sentimos no limite em relação ao medo, insegurança e distanciamento que esta emergência sanitária nos trouxe. Estamos mais desconfiados, intolerantes e mentalmente exaustos, infelizmente. Pessoalmente sinto-me como se numa zona de rebentação de ondas, a levar “porrada” e a sumergir sob a força da água, e quando consigo voltar à tona e recuperar o ar logo vejo outra onda ameaçadora a chegar. Mas a sequência e intensidade das ondas vai diminuir e acredito que 2022 vai nos possibilitar mais liberdade e, quem sabe, devolver-nos os abraços perdidos.

Felizmente nem tudo são coisas menos positivas neste final/começo de ano. Começo 2022 com um novo desafio profissional que muito me entusiasma e que me faz sonhar com pessoas a conhecer, projectos a desenvolver e objectivos a conquistar. Sinto ser um privilégio trabalhar com um propósito entusiasmante: o de melhorar a vida das pessoas no que à Saúde diz respeito. Poder levar esse propósito a um patamar diferente com uma abrangência maior faz-me abraçar este desafio com enorme excitação!

Então o que espero para este ano? Espero muito… mesmo muito. Sonho com os sítios a visitar, com as viagens a realizar. Quero levar a bom porto alguns projectos iniciados e começar outros tantos. Desejo continuar a aprender sobre os outros, mas principalmente sobre mim mesma. Quero solidificar a minha tranquilidade e bem-estar emocional, mas ainda assim apaixonar-me incondicionalmente. Peço saúde. Quero continuar (muito) próxima da minha família e amigos do coração. Com eles quero rir-me até chorar, chorar de verdade quando necessário, saltar de contentamento e deslumbramento, contemplar a beleza da vida e do Mundo, e abraçar muitíssimo! Quero tudo e todos, sem direito a negociações.

Que seja 2022 estrondosamente feliz para todos!

Carla

O regresso

Tem sido uma ausência prolongada, desde que aqui escrevi o último texto. Era ainda Agosto e vivia a urgência de saborear cada dia de sol e calor, cada tarde de banhos no mar, cada hora com os dedos dos pés enterrados na areia quente. Vivia também o entusiasmo de sentir cada minuto de liberdade, anunciada provisória, sem máscara na cara (mas sempre cumprindo as recomendações e obrigações) e com o receio da pandemia diluído na mente embriagada de sol.

Mas o tempo sempre corre e a seguir aos dias de Verão veio o regresso às aulas e aos dias mais pequenos, vieram os espirros próprios da época, os números de novos casos a aumentar e as preocupações renovadas.

Está demorada esta pandemia. Arrasta-se há meses intermináveis e rouba-nos o tempo de recuperar. Assemelha-se àquelas séries televisivas que nos surpreendem nos primeiros episódios, que nos mantêm durante algum tempo agarrados a cada minuto de desenvolvimento da trama, e que depois se tornam só uma história do mais chata possível que já não nos entusiasma ou assusta. Simplesmente já ninguém tem pachorra para mais um episódio que seja, mas as temporadas continuam a surgir.

Não tenho braço de estudo de comparação entre como me sinto hoje, com como me sentiria se não tivéssemos tido esta pandemia. Questiono-me se eu teria feito o mesmo tipo de reflexão e desenvolvimento pessoais ou se teria acontecido de qualquer forma porque está intimimamente ligado à fase da vida em que estou. Onde me encontro hoje é o resultado deste natural crescimento potenciado por esta maleita global que nos tem acompanhado nos últimos (quase) dois anos? Muito provavelmente é isto mesmo.

Não tenho memória de outro período entre um a dois anos com efeito tão disruptivo na minha formação como pessoa. Ou então não estava atenta.

Dou por mim a lembrar-me, e ocasionalmente a usar, aquela expressão popular “só queria ter menos uns anos (não me consido decidir para que idade queria voltar) e saber o que sei hoje”. Certo! Que expressão tão de “gente velha”. Mas que faz imenso sentido porque reconheço que fiz um longo caminho pessoal e espiritual para me sentir hoje em paz com quem sou e com as escolhas que fiz. Não seria maravilhoso estar nos “trintas” e ter esta segurança e paz de espírito? A verdade é que seria maravilhoso mas artificial. O nosso crescimento interior precisa do seu tempo e processo de aprendizagem na primeira pessoa. Não se arranja num chip ou se instala por download.

Já o Mundo… Lembrar-se-ão de certeza de no início da ameaça da COVID dizermos que as pessoas saíriam melhores da experiência, que haveria mais Humanidade e Irmandade, que nos ajudaria a valorizar o que temos de bom em detrimento do que gostaríamos de ter. Infelizmente não acredito que é por aí que vamos. Acredito que foi um elemento potenciador do que há de bom, mas também do que há de mau nas nossas sociedades. E que a verdadeira dimensão desse “esticar das extremidades” ainda está para ser entendido; que talvez venha a acontecer quando acabar a Pandemia do vírus e emergir a pandemia da crise económica.

Ou então não! Em época de pedir desejos, o meu vai para um sentimento renovado de Esperança na boa vontade das pessoas e no Amor partilhado por muitos! A escolha é nossa.

Carla

O inferno na Terra

Não queria escrever este texto, não mesmo. Há alguns dias que luto com a inevitabilidade do tema e uma firme resistência em mergulhar num assunto que só traz tristeza, descrença e amargura. Comecei este blog para me dar prazer e libertação, mas sei agora que nem sempre vai ser prazeiroso. Mas se pelo menos trouxer alguma libertação, já terá valido a pena.

Não sou entendida em temas de politica Mundial, conflitos no Médio Oriente, crenças religiosas e de devoção em geral, ou em interesses económicos das grandes potências. Acredito que tenho um nível aceitável de conhecimento geral, sobre tudo um pouco, porque procuro ir buscar informação a várias fontes para obter uma imagem o menos condicionada e enviesada possível. Normalmente surgem-me muitas perguntas e dúvidas que me levam a procurar saber mais e construir uma opinião minimamente fundamentada… , e assim por diante. Talvez por isso me seja tão difícil perceber quem se mostra muito convicto seja do que for, não estado na posse de todos (ou da maioria) dos fatos. Essa atitude gera em mim uma desconfiança inata; coisa de gente habituada à dúvida científica, acho eu.

O que, sim sei, é que a população afegã vive por estes dias um inferno na Terra. Sei que famílias inteiras procuram desesperadamente encontrar uma solução para levar as suas vidas com um mínimo de dignidade e segurança, que milhares de crianças estão a perder os seus direitos básicos que lhes pudessem assegurar crescerem saudáveis e com perpectivas futuras. Que outros tantos milhares de mulheres vêem (uma vez mais) os seus direitos fundamentais serem-lhes retirados sem nada poderem fazer, sabendo que podem perder a vida se escolherem protestar. E que tudo isto acontece sob o olhar da comunidade internacional, que após a anunciada retirada das forças militares norte-americanas não encontra uma alternativa de impedir a transformação do Afeganistão numa espécie de reduto privado de grupos extremistas islâmicos.

Os Talibã são membros de um movimento fundamentalista e nacionalista islâmico que se difundiu maioritáriamente em territórios do Afeganistão e do Paquistão. São considerados como organização terrorista pela grande maioria dos governos da comunidade internacional. As suas “jihad” explicam-se como a luta constante contra os “inimigos” da religião muçulmana de forma a elevar o Islão e as suas leis. Depois há as variantes que remontam a tempos idos e se baseiam em interpretações díspares do Islão, dando origem a doutrinas mais ou menos radicais.

Durante o regime Talibã no Afeganistão, que durou de 1996 a 2001, muitas foram as restrições à liberdade individual, especialmente as das mulheres. À população em geral estavam proibidas a leituras de livros considerados não adequados, o visionamento de filmes de cinema ou televisão considerados perigosos e decadentes, o acesso à internet e música foi fortemente condicionado, assim como as manisfestações artísticas na sua generalidade. Adicionalmente as mulheres estavam impedidas de circular livremente quando não acompanhadas por um homem “responsável”, e o acesso à instrução, emprego, assistência médica, lazer ou distrações, estavam fortemente condicionados. Eram obrigadas aos uso do véu total e a manterem-se “invisíveis”. Por exemplo, não lhes era permitido fazerem ruído ao caminharem, numa total anulação da condição feminina e humana. Para estes extremistas, o papel da mulher é exclusivamnte o da geração e criação dos filhos. Mesmo entre marido e mulher não existe afinidade; a “afinidade” existe entre os homens.

Photo by Hasan Almasi on Unsplash

Como militante incondicional da liberdade de escolha, que sou, não discuto crenças religiosas. E não condeno práticas culturais diferentes, sociedades mais patriacais ou matriacais, culturas que valorizam proveniência familiar, tribal, o que seja. Desde que todos sejam tratados com respeito, que possam viver com dignidade individual e que cada um seja livre de escolher acatar ou não as “leis” em vigor. E se não se rever nessas regras, que possa ter a liberdade de procurar outro caminho. Como mínimo dos mínimos, que cada um seja livre de abandonar uma sociedade onde não se sentem bem e de cujos valores não partilham.

Photo by Mohamed Nohassi on Unplash

Não entendo esta retirada precipitada e catastrófica das forças militares norte-americanas, deixando para trás um caos instalado. Não entendo que possam virar as costas e escolher que a manutenção da ordem e liberdade naquele território não é mais “um problema deles”. Não desta forma precipitada e unilateral. Não deveriam os EUA trabalharem no sentido de uma transferência de poder gradual e “musculada”, em conjunto com os seus aliados? Não consideram ter um dever de humanidade para com a população afegã sabendo o que estará em causa assim que saírem do território?

O presidente afegão decidiu abandonar o país depois de ser iminente a tomada do poder pelos Talibã e foi, óbviamente, criticado por isso. Mas que perspectiva poderia ter depois de ter sido deixado de fora das conversações entre os EUA e os Talibã, processo iniciado pelo presidente Trump (e que o Biden resolveu manter), com vista à retirada das forças americanas? Uma grande trapalhada que se estenderá por anos e terá consequências devastadoras para tantas vidas.

Temos assistido nos últimos dias à situação de crise no aeroporto de Cabul, para onde milhares de afegãos se dirigiram na esperança de poderem abandonar o país. Entre eles inúmeras crianças e mulheres, que vêm nessa fuga a sua única hipótese de sobrevivência. A situação deteriora-se a cada hora que passa com as pessoas sem quaisquer condições de higiene e segurança nessa espera e com as forças aliadas a tentarem ajudar como podem. Famílias separam-se sem saberem se voltarão a reunir-se. Muitos sucumbem de exaustão e desespero. A data limite para a retirada das tropas extrangeiras foi negociada para 31 de Agosto e corre-se contra o tempo para salvar vidas.

Fico agoniada quando imagino o desespero de quem espera para lá daqueles muros enquanto assiste aviões a chegar e partir, e não sabe se conseguirá salvar-se e à sua família. É só triste demais e completamente inumano. Entretanto já ocorreram dois atentados suicidas reivindicados pelo Estado Islâmico (outro grupo extremista) dos quais resultaram cerca de 60 mortos entre afegãos e forças estrangeiras. Ainda hoje os EUA atingiram com um rocket um veículo que transportava terroristas e explosivos, impedindo um atentado iminente.

Para qualquer crente num “Deus de Amor”, seja essa divindade a que quiserem lá colocar, deveria ser inconcebível o assassínio de irmãos de crença e cultura. De qualquer vida, já agora, mas mais ainda dos que lhes são mais próximos em costumes e similiridade. Não é? Como podem estes extremistas acreditar que estão a seguir os desígnios do seu Deus matando o próximo, destruindo a Vida que é só a obra desse mesmo Deus. Que Pai poderia apoiar que os seus filhos se matassem uns aos outros? É simplesmente inconcebível, imcompreensível, virtualmente impossível. Portanto não me venham com merdas! Não consigo conceber que os “homem-bomba” acreditem verdadeiramente que serão recompensados com a vida eterna no paraíso! Os seus atos só podem ser explicados por só conhecerem o ódio, e com ele viverem toda a sua vida. E em nome do ódio, agem. Tiveram o infortúnio de pertecer a uma realidade desesperante e vazia de perspectivas e simplesmente não conseguem sair da única realidade que conhecem. Infelizmente também há os que se perdem no seu caminho, os que até têm escolha e alternativa, mas que escolhem fazer o mal.

Photo by nega on Unsplash

Não faço ideia como resolver os problemas do Mundo. Este e outros tantos. Mas estou convicta que a ação gera ação, que a violência gera violência, que o ódio gera mais ódio. Acredito que só se conseguirá inverter esta espiral negativa se as ajudas e os “estender de mão” puderem ser vistos como não tendo outro interesse além do bem estar e prosperidade comuns. As desigualdades gritantes das nossas sociedades têm de ser esbatidas, se não completamente anuladas (o que francamente me parece inalcançável). O ódio pelo próximo só pode desaparecer quando TODOS, sem exceção, puderem ter acesso às suas necessidades básicas: alimento, água e segurança. Todas as outras necessidades são secundárias; não acredito em extremismos em populações que vivem com a dignidade e bem estar básicos. Vamos sempre ter desigualdades gritantes na nossa sociedade, mas o mínimo ao alcance de todos… não será possível?

Photo by Sohaib Ghyasi on Unsplash

O tempo urge. Em muitos sentidos. O tempo do Planeta, o tempo das sociedades como as conhecemos, o tempo de acreditar que ainda é possível. É responsabilidade de todos acabar com o(s) Inferno(s) na Terra.

Carla

Quando a cabeça tira férias

Férias é tempo de descanso e de reflexão. De balanços e planos para o mais imediato, pelo menos para mim. Quando o ritmo abranda e o corpo relaxa abre-se espaço para a mente reflectir, divagar, sonhar. E como sabemos, o sonho comanda a vida!

Este ano tenho dado por mim a usar esse “espaço a mais” de mente (sim, porque a meditação e “ausência de pensamento” não parecem ser objectivos que alguma vez alacançarei…) para sonhar com o que quero fazer nos próximos tempos: viajar, ver, conhecer, experimentar, viajar, sentir, saborear, … e já mencionei viajar? Interessante como a cada ano que passa cresce a lista de onde ainda quero ir. Não seria mais normal ser ao contrário?!

 Photo by Julian Hochgesang on Unsplash

Sempre me conheci assim, com sede de fazer e acontecer, e tenho a grande vantagem de raramente ver uma meta como inalcançável. Chamem-lhe otimismo intrínseco ou simplesmente falta de noção; a verdade é que de vez em quando surpreendo-me a conseguir alcançar mais uma vontade, mais um sonho. Por isso acredito que não há muitos impossíveis, há somente vontades mais imediatas e fáceis de alcançar do que outras.

A independência material foi das primeiras metas que persegui e alcancei, muito impulsionada pelos exemplos do que não queria para mim mas também por ver esse passo como fundamental para poder perseguir outros horizontes. Já a independência emocional deu-me muito mais trabalho e veio muito mais tarde… se é que a alcancei de todo. Todos temos uma história. E a minha custou-me medos e fragilidades que me impediram de me bastar a mim própria por bastante tempo; custou-me a procura incessante de suporte emocional nos outros e de usá-los como “bengala” para o meu bem-estar. Mas como de costume, quando algo se nos apresenta como inevitável… descobrimos o caminho que até aí era invisível.

Para aprendermos a voar é preciso saltar no vazio. Foi também assim comigo. Quando te obrigas a encarar os teus medos de frente, a dar o passo que sabes necessário mas que tanto te assusta… cresces e voltas a acreditar que tudo é possível. E não há melhor sensação no Mundo do que a de acreditar que só dependes de ti mesma. Não há melhor bem do que a de liberdade incondicional!

Já tenho uma mini lista de desafios novos para abraçar no pós-férias. De todos os tipos: de lazer, de aprendizagem, profissionais, relacionados com associativismo e civismo, de interiorização… de tudo um pouco. A maior parte implementarei, um ou outro cairão por terra. Mas é da vontade que se cria movimento.

Partilho a lista de locais a visitar: Indonésia, Marrocos, Rússia, Capadócia, Jordânia, Jerusalém, Maldivas, Canadá e vários locais nos Estados Unidos. Poucos assim, só para (re-)começar 😊. A Indonésia está já programada para 2022 e vai ser uma aventura em todos os sentidos porque irei acompanhada por pessoas que não conheço, com uma agenda que não terá sido construída por mim, contactar com uma realidade muito desafiante. Conto os dias que faltam!

Marrocos também poderá acontecer em breve, assim a pandemia o permita. A companhia já tenho e o programa está por definir. Gostava de ir a Casablanca, Marraquexe e Fez, conhecer os souks e mesquitas. Talvez dormir no deserto. Quero mergulhar na cultura, saborear e cheirar e antevejo um caleidoscópio de cores, calor na pele, um ruído constante de sons e vozes, sabor a menta e picante.

A viagem à Capadócia já esteve quase marcada. Espero fundir a vontade de voar em balão de ar quente com a visita a este local apaixonante. Adorei o que já conheci de Istambul e da Turquia, pelo que a expectativa é elevada. Talvez ainda em 2021…

Estamos todos no mesmo barco ao ter esperança num renascimento pós-pandemia. Está cada vez mais perto o dia em que deixaremos cair as máscaras e voltaremos a abraçar e beijar sem restrições. A mover-nos ao sabor da nossa vontade. A rever amigos e colegas. Se há alguma coisa de bom a tirar deste ano e meio de liberdades canceladas, talvez seja o de termos despertado para o encontrar a luz nas pequenas coisas que se nos apresentam, viver o momento e apreciarmos mais quem nos rodeia.

Já vos tinha falado da promessa que fiz a mim mesma de passar os próximos 10 anos a satisfazer as minhas curiosidades e vontades e de me sentir feliz com o que sou e tenho. Tenciono cumprir esta promessa!

Carla

“Haters”, “bullies” ou só tristes

O tema de hoje é muito sério e cada vez mais atual.

Faço parte do clube de pessoas para quem o Amor é o bem mais importante que possui e dos que acreditam que é o mesmo que nos define como seres pensantes e emocionais; e em contrapartida, para quem qualquer forma de ódio parece sempre gratuita, ineficaz e uma absoluta perda de energia. De energia preciosa para nos dar alento nesta Vida (a maior parte das vezes) desafiante e consumidora. A última coisa que precisamos é de gerar, de propagar ou de multiplicar manifestações de ódio.

Dou por mim invariavelmente surpreendida e desgostosa quando assisto ao extravasamento de ódio e agressão para com os outros, tantas vezes sem qualquer motivo aparente ou “trigger” que possa justificar esse tipo de respostas. Porque o ódio e desamor NUNCA é a resposta.

Nos dias de hoje é frequente assistir nas redes sociais a comentários absolutamente maldosos e agressivos para com o próximo. Uma qualquer afirmação ou opinião mostrada por um incauto publicante é passível de gerar verdadeiras polémicas com infindáveis agressões e insultos escritos, visíveis para todos os que estejam a seguir a publicação. Tenho a certeza que numa situação presencial nem um terço dos insultos seriam proferidos, mas estar a coberto do dispositivo que usam parece levar algumas pessoas a enlouquecer e esquecerem-se dos seus filtros sociais. Tornam-se animalescos!

Há poucos dias fui o alvo de uma manifestação de ódio por parte de pessoa não identificada e que me chegou via redes sociais. Tratou-se um episódio pontual, súbito e totalmente inesperado. Foi um ataque cobarde e mesquinho uma vez que foi feito a coberto do anonimato. Ora sempre me ensinaram a não dar crédito a afirmações ou acusações anónimas. Exceção para as situações de sério risco á integridade do denunciante, claro. Não é o caso. Tratou-se de um ataque directo á minha pessoa, com um conteúdo difamatório e com a clara intenção de fazer danos. Não fez. Mas deixou-me muito apreensiva com a (falta de) saúde mental do(a) agressor(a).

Photo by Tim Mossholder on Unsplash

Passada a surpresa inicial dei por mim a pensar o que poderia ter desencadeado tal ataque. Eu sou uma pessoa absolutamente comum, sem qualquer pretensão a reconhecimento público, que não se consegue lembrar quem lhe possa ter ódio de qualquer natureza, que não trata mal os outros e que (penso eu) não se dá a ares de importante. Por isso não entendi de onde veio o ataque. Fala-se e escreve-se muito sobre este fenómeno atual dos “haters” e “cyber-bullying”, mas realmente pensei que os alvos preferenciais eram as figuras públicas por serem potenciais desencadeadores de invejas e frustações em pessoas com baixa auto-estima. Eu não sou milionária ou figura pública; não há grandes razões para invejas alheias.

Só pode haver uma razão para o sucedido. Alguém que não me é próximo (notório na espécie de ameaça que deixou) terá tido acesso ao meu perfil de Facebook , ou publicações deste blog, e enervou-se. Poderá ser por não concordar com opiniões que terei partilhado? Talvez… mas não me parece. Será por não se identificar com a minha postura nas redes sociais? Talvez… mas a boa notícia é que não precisa de incomodar, basta bloquear-me (existem uns tutoriais fantásticos no YouTube para quem não souber como se faz). Será porque a minha boa disposição e atitude positiva o(a) incomoda? Aposto nesta. E nesse caso devo ter dó desta pessoa. Tem de estar num estado de saúde deplorável se tira algum tipo de divertimento desta ação ou se utiliza estes “ataques” como escape às suas frustações. Existem pessoas tão doentes que criam, muitas vezes múltiplos, perfir falsos para poderem construir toda uma realidade paralela onde (pensam que) se encontram a salvo das consequências das suas perseguições.

Tinha pensado não mostrar a mensagem que recebi porque também acredito que não devemos “dar palco” a este tipo de manifestações. Por outro lado estou convencida que temos de denunciar, falar, debater e arranjar soluções para estes comportamentos cada vez mais desviantes e perigosos. Perigosos para vítimas e agressores. Resolvi partilhar porque talvez possa ajudar outras pessoas que sejam alvo do mesmo tipo de ódio.

Voltando ao início, atitudes positivas atraem atitudes positivas. O Amor atrai e desencadeia mais Amor. Mas o contrário também é verdade. A terceira lei de Newton, também chamada de Lei da ação-reação, descreve o comportamento de um sistema quando este interatua com outro sistema, exercendo-se forças simultâneas. De forma resumida, se um corpo exercer uma força sobre outro corpo, o primero vai sofrer uma ação de reação de direcção contrária e de igual intensidade. Simples assim.

Deixo então a minha mensagem de resposta ao “Vasco João”: “Obrigada pela sua opinião tão construtiva. Felizmente os seus comentários sobre as minhas características físicas não encontram eco na minha auto-imagem. Não se incomode a avisar o meu (inexistente) marido de coisa alguma. Aconselho-o(a) vivamente a consultar um profissional de saúde e falar-lhe desta sua compulsão pelo insulto. Força e votos sinceros de rápidas melhoras!”

Carla

A nossa Portugalidade

Não há dúvida que este é um tema atual por muitos e (na maioria das vezes) bons motivos. À hora que escrevo estas linhas encontro-me como a grande maioria dos portugueses, nervosa e ansiosa com o jogo Portugal-França desta noite. Não sou uma grande fã de futebol ou de campeonatos desta modalidade, mas sinto o bicho de apoiar (incondicionalmente) a minha, nossa seleção. Sinto um orgulho enorme em ver o nosso País a competir a tão alto nível, seja no futebol ou em qualquer outra modalidade do desporto, seja numa modalidade artística ou no campeonato de corrida de carrinhos-de-linha! (E aposto que existe tal coisa em qualquer parte deste Mundo louco.)

Sinto que esta capacidade de nos unirmos por uma causa maior, pelo nosso País, é uma característica talvez não única mas muito distintiva. Nós defendemos os nossos até à irracionalidade, mesmo que secretamente até achemos que estivemos mal. Não entre nós e cá dentro, não. Entre patrícios dizemos muito mal do que fazemos (mesmo quando os outros nos elogiam), mas para fora somos sempre os maiores, e “Ai” de quem disser o contrário. Para defendermos a nossa Portugalidade somos capazes dos atos mais heróicos desenterrando argumentos elaborados e embelezados. Não vejo isso acontecer com a maioria dos outros países , pelo menos entre os não-latinos. E claro que podemos debater se isso é uma qualidade ou é simplemente imbecil. Podemos defender que sermos mais imparciais em relação aos nossos feitos, e à falta deles, pudesse ser mais benéfico para Portugal a médio e longo prazo. Poder, podia…mas não sería a mesma coisa!

Ainda hoje conversava com alguém sobre esta mania tão portuguesa de dizermos mal do que fazemos, de nos sentirmos uns coitadinhos, de estarmos constantemente “de mão estendida”… Lá está, entre nós comportamo-nos muito assim, mas perante uma comparação menos simpática ou uma crítica (destrutiva) de um forasteiro, erguemo-nos orgulhosa e valentemente e defendemos a nossa maneira de ser e de aparecer! E se gostam gostam, senão… ide-vos $#”@?!

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Á medida que fui ganhando mais experiência (as voltas que eu dei para não escrever “com a idade” 😂😂) fui-me tornando menos combativa e argumentativa com as críticas que me são dirigidas e também menos aguerrida na defesa de algumas ideias. Aprendi que nem sempre vale a pena e há que gerir esforços, e que vivo bem com o fato de não agradar a alguns. Mas na defesa da minha (nossa) Portugalidade, nunca! Posso passar horas a bater bolas até ganhar o reconhecimento por um feito qualquer de um compatriota, ou para demonstrar que houve uma estratégia inteligente e bem executada por detrás de uma qualquer ação de um português. Até me podem tirar de Portugal, mas não podem tirar Portugal de mim!🤷‍♀️

Esta Portugalidade está presente em muitas situações. Quem não se revê no prazer (quase infantil) de estar de visita a locais longínquos e repentinamente ouvir alguém falar a nossa língua?! De olhar para o turista ao lado e vermos ali um patrício a sorrir-nos… fazemos logo ali mais um amigo! Ou até de praticarmos zapping na TV de um qualquer hotel nos confins do Mundo e cairmos num canal português… Ahhhhhhhh! até parece que conseguimos cheirar e saborear Portugal.

Ouvimos muito que somos provincianos, “pequeninos”, pouco abertos a outras experiências e vivências, como contra-argumento para este gosto em reconhecer o que é nosso. Não concordo, de todo!

Nunca fomos pequeninos. Temos um território relativamente pequeno no mapa e não somos muitos a habitar esse espaço, mas somos enormes na nossa história, cultura (mais no passado, verdade seja dita) e ambição! Temos portugueses espalhados pelos quatro cantos do Mundo, a nossa Língua vigora entre as mais faladas (ainda mais se olharmos para quão poucos realmente somos), temos património cultural reconhecido globalmente, somos considerados com um destino turístico de excelência e como um dos países mais seguros para se viver, somos produtores de vinhos excelentes, produtores número um de cortiça, temos cientistas e conhecimento técnico de excelência, …. e muitos mais! E claro… o papel que nunca pode ser esquecido; o dos nossos Descobridores, que abriram caminhos e rotas que ligaram os Continentes. Tudo conseguido por estes provincianos que habitam um cantinho da Europa.

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Tivéssemos nós a capacidade de união, como temos de sentimento patriótico. Houvesse um pouco mais (não excesiva!) de capacidade e vontade de organização, associativismo e inicitiva para colocar em prática o que acreditamos ser possível. E nada nem ninguém nos parava.

Normalmente opto por não assistir aos jogos da seleção. Para não me enervar tanto e até por uma parva superstição. Mas hoje vou estar de olhos postos no écran de uma qualquer TV, vestida com as cores da nossa bandeira, e o meu coração vai acelarar à cadência dos arranques do Cristiano. Porque não acho que mereçamos fazer contas de somar “a ver se passamos” e porque sinto que temos uma energia como povo que tem de ser canalizada para o bem. E se apoiar a seleção for uma forma de avivar e canalizar essa energia, assim seja! Que vençamos os jogos, que cheguemos à final e que tragamos o caneco! E depois meus amigos, vamos atrás do que merecemos!

Vamos com tudo!

Carla

Pulguinha

Atrasei este texto de propósito. Não queria mexer muito no assunto por razões óbvias, mas é inevitável.

Até há bem pouco tempo considerava-me uma “pessoa de gatos” rodeada por “pessoas de cães”. Em miúda convivi com alguns gatos em casa, mais por teimosia da minha irmã rebelde com tendência para encontrar (ou procurar?) bichinhos em apuros, do que por vontade própria. O meu pai adora animais e tivemos vários piriquitos, peixes, acho que um canário e um pato, mas cães não era muito prático para um apartamento de 3 quartos partilhado por 7 pessoas.

Tivemos pelo menos 3 gatos em casa dos meus avós. Não ao mesmo tempo, um de cada vez. Lembro-me de um siamês e de dois rafeiros, sempre meninos mas só porque calhou. Dos nomes só me lembro do Mimoso. Mais uma prova da minha péssima memória para nomes. Mas nenhum espécime canino.

Pulga Buda Sebastião, de seu nome. Foi o meu primeiro cão-companheiro, e único até ao momento. “Buda” da parte da mãe, “Sebastião” da parte do pai. Um Shih-tzu tricolor que fui buscar com pouco mais de um mês e meio de nascido. Apaixonei-me por ele à primeira vista ainda que só por fotografia que a criadora me enviou. Tinha ao seu lado o irmão, muito parecido, mas um pouco mais escuro e nitidamente mais forte e talvez tenha sido essa aparente fragilidade que me cativou de imediato.

A criadora do Pulga avisou-me que algo não estava bem com ele, que era melhor eu optar pelo outro cachorro. É uma criadora experiente e tinha-lhe detetado alguns sinais de possível patologia congénita, mas eu não quis saber. Já o tinha escolhido e quis tentar a sorte de ver se ele se safava. E foi-se safando!

Estava tão entusiasmada no dia que o fui buscar! Foi até umas semanas mais cedo do que é habitual porque tinha combinado com a criadora que o traria para ser avaliado pela médica veterinária da minha confiança. Já agora… estou a falar da Dra Patrícia do Aristocão, em Torres Vedras, e de toda a sua fantástica equipa.

Fiz uma surpresa às miúdas quando chegaram da casa do pai. Nem queriam acreditar! Já tinham dado por perdido o sonho de ter um cão exatamente porque sempre lhes disse que não era uma “pessoa de cães”, e que já tínhamos o Mickey, o nosso felino. O Pulga foi capaz de encantar toda a gente; uma bolinha de pêlo fofinho, super energético e dado, sempre pronto para brincar, roer, correr, simplesmente adorável!

O Pulguinha tinha um quadro convulsivo. Acontecia sem aviso, várias vezes no mesmo dia, ou então não acontecia por vários dias. Eram normalmente episódios de convulsões fortes mas rápidas que o deixavam um pouco desorientado logo após as crises e mais ou menos cansado. As primeiras suspeitas foram para um “shunt” hepático que conduziriam a uma disfunção do fígado. Foi sendo avaliado e vários exames foram realizados, mas nunca se conseguiu um diagnóstico definitivo da sua condição. As crises convulsivas foram sendo controladas através de medicação que se tornou diária, e através de dieta hepática. Apesar dos sustos, preocupações e custos inerentes, a companhia e “fofura” do Pulga faziam-nos esquecer a sua condição e dar todo o esforço por compensado.

Acabou por não resistir a uma infecção viral. Agressiva e muito complexa de ultrapassar dada a sua condição de doente crónico.

Fez parte da nossa família por cerca de 7 meses, tempo que foi de amor incondicional de parte a parte. Muitas lambidelas e roedelas de dedos. Muitas corridas desenfreadas, com encontrões pelo caminho (via mal, o pequenito), ataques de carinho ao Mickey (que o adoptou desde o primeiro dia) e a todos à sua volta. Era difícil dar-lhe colinho, tal era a excitação que tomava conta do bicho e estou convencida que não fazia ideia que era um cão.

Obrigada meu querido! Estou muito contente por ter seguido o impulso de te querer a ti, mesmo que incerto. Foste muito amado e amaste-nos na mesma proporção. A mim ensinaste-me que afinal também gosto de cães e que o amor se multiplica a cada animal que adotamos.

Amamos-te muito, Pulguinha, e temos muitas saudades.

Carla

Portugal na Commonwealth?

Resolvi parar por uma semana e gozar umas muito merecidas (eu acho!) mini-férias. Aparentemente tinha usado de proactividade em marcar férias na altura dos feriados de Junho, logo no início do ano, e depois esqueci-me! Acordei para a realidade a poucos dias de iniciar a pausa calendarizada e confesso que achei logo que não dava jeito nenhum, que tinha imenso que fazer e reuniões importantes agendadas e, blá, blá, blá. Conhecem o discurso, certo? Mas rapidamente me lembrei do quanto estou saturada das quatro paredes do meu “home office”, de que já não me posso ver nas reuniões virtuais (já me bloquei do meu próprio écran!), que já passou muito tempo desde a última pausa e que já prometi muitas vezes a mim mesma que teríamos umas férias a dois! Eu e minha pessoa.

Depois de colocar as minhas capacidades de (auto) negociação em ação, acordei que manteria a primeira semana de férias e cancelaria a segunda. Ganhámos as duas! 😂😂 E logo me propus a sair de casa, a realmente mudar de ares e deligar por uns dias. Encontrei um sítio de turismo rural no Algarve muito agradável e em conta, e com tudo o que gosto: tranquilidade, piscina, bom gosto e próximo da praia. Ah! E com pequeno-almoço incluído, que de férias há que mandar o jejum intermitente às urtigas!

O local é tudo aquilo que promovia e estou a adorar (partilharei o local nas páginas do Face e Insta). Só tem um senão… fica demasiado perto do enclave britânico em Portugal: Albufeira.

Deixem-me já deixar bem claro que não tenho nada contra os ingleses, ou qualquer outro povo, já agora. Portugal vive do turismo e eu gosto de ver visitantes no nosso lindo País. Sou daquelas tontinhas que meto conversa com os estrangeiros para lhes sugerir locais a visitar e experiências a terem, de forma a saborearem convenientemente este fantástico cantinho; e também passo a vida a conselhar os meus colegas de todos os países para nos visitarem! Agora… enquanto em Portugal gosto de me sentir em casa, e não numa realidade paralela onde tenho a vívida sensação que o meu comportamento é desadequado e desenquadrado! Porque aqui é isso que se passa, somos estrangeiros na nossa própria terra.

Passo a explicar… já não me refiro ao que já todos nos habituámos: nomes de establecimentos e reclamos em inglês, ementas em inglês, menus pensados para os outros gostos, preços a condizer, má cara em atender os portugueses, bares de karaoke por todo o lado com “música” em alto volume, os “english breakfast”(destes até gosto!) servidos em qualquer tasco , etc. Não, não me queixo do habitual. Este ano temos a novidade das regras pandémicas para residentes e estrangeiros.

Estão todos recordados da obrigatoriedade no uso de máscara em locais públicos, nos acessos às praias e apoios das mesmas, dentro dos establecimenmtos e assim por diante, certo? Pois…depende. Para os portugueses sim, para os turistas não. Ninguém, sublinho, ninguém cumpre as regras em vigor! Desde que cheguei só consegui cruzar-me com duas senhoras inglesas que passeavam na rua de máscara. E olhei para elas com ar desconfiado! Que é precisamente o que toda gente faz comigo, os que se cruzam comigo na rua; olham para mim com um ar interrogativo como se perguntassem o que tenho de errado (por estar de máscara)! Os portugueses com que me cruzo parecem estar a sofrer da mesma perplexidade e indecisão que me tem assolado: ora colocam ora tiram a máscara; na maioria das vezes vai colocada nos pescoço ou pendurada numa orelha não vá terem de mostrar que estão a cumprir as normas.

Enfim, ainda bem que se lembraram de fazer aqueles kits de boas-vindas que entregam aos turistas quando chegam ao aeroporto de Faro. Dinheiro muito bem gasto. Imagino-os a levarem a recordação com eles para mostrarem como curiosidade aos que não puderam viajar! 🙄🙄

Recordam-se ainda das regras anunciadas para a época balnear? Nomeadamente da estrita proibição de jogos de bola nos areais? Pois… no caso de falarem português, sim. Hoje um grupo de cerca de 15 ingleses que partilharam um areal relativamente pequeno comigo ( e com mais uma meia-dúzia de outras pessoas) jogou alegremente e ruidosamente uma futebolada com direito a balizas marcadas com raquetas. O banheiro da praia não só assistiu à partida como rejubilou com eles. Quando se cansaram do jogo, usaram as raquetas para mais umas atividades lúdicas de bater bolas. Se a pontaria falhava e as bolas aterrassem em cima de alguém ou no “espaço de segurança” de algum banhista, sem problema, vai-se lá alegremente a gritar: “sorry! Excuse me!” Ah! E nas esplanadas isso do limite de pessoas por mesa é um conceito para português ver, claro.

Uma realidade que me tem surpreendido: polícia e forças da autoridade nem vê-las! Não se vislubram em lado nenhum. Não posso falar das horas mais tardias, porque por aí nem me aventuro. Tenho optado por permanecer no cantinho abençoado que aqui encontrei. Mas não deixa de ser estranho na época que atravessamos que as atividades e comportamentos não sejam fiscalizados.

Pronto, é o que temos! Vim para descansar e pretendo fazer isso mesmo, seja em “território” português ou em terras da Sua Majestade! Da minha parte continuarei, obviamente, a cumprir as regras sanitárias. Não defendo de forma alguma que devemos ter a mesma “liberdade” para a polulação portuguesa e aplicada em todo o território. As autoridades devem ter um plano qualquer… se isto correr muito mal por aqui podem sempre isolar a área e declarar o Algarve uma “bolha” britânica.

Mas já agora não deveríamos nos candidatar à Commonwealth? Penso que existem alguns benefícios económicos e sociais e talvez ainda vamos a tempo de receber a visita da Lilibet!
God Save the Queen!

Carla (de férias!)

Porque amo Maio

O quinto mês do calendário gregoriano, conhecido entre outras coisas pelo mês das flores, da primavera, de Maria, das Mães, das noivas, tem demonstrado ser um mês importante para mim. É com frequência o mês de renovação e de eventos importantes, associado a maior energia; mês de decisões marcantes.

A verdade é que é quando começamos a ter os dias mais compridos e com mais luz, e só isso é já “um pancadão” na hipófise (expressão da autoria de um professor de Fisiologia que tive na faculdade, e que a usava amiúde para explicar a nossa desconcentração por essa altura do ano). A maioria das pessoas sente-se mais otimista, com mais energia, mais disponível para o AMOR e para fazerem mais por si próprios. É um mês muito simpático!

As minhas duas filhas nasceram em Maio, e nada é por acaso. É a altura ideal para os bebés nascerem; não está frio nem demasiado calor, rápidamente podemos dar pequenos passeios ao ar livre e, se tudo correr bem, lá para o meio do Verão ainda conseguimos apresentar-lhes a praia. Tem a grande vantagem da licença de maternidade ser gozada com bom tempo e com dias luminosos. Há um lado mais duvidoso… a grande probabilididade de ficarem com uns “tourinhos” nas mãos.

Touro é conhecido por ser o signo da determinação, pelo que os taurinos nos presenteiam com uma “forte personalidade” ao nível da teimosia (garanto-vos que argumentar com eles é como bater bolas contra uma parede), mas são também pessoas sensíveis a amorosas e dos melhores amigos que podemos ter. Os meus exemplares cá de casa não poderíam ser mais distintas em feitio, mas os traços positivos que descrevi estão bem presentes!

Maio é também o mês de Maria. Tempo de reflexão e agradecimento. Lembro-me de ter desde pequena um respeito especial e adoração pela Mãe de Jesus. Lembro-me com carinho das viagens anuais a Fátima com os meus avós e que a minha querida avó Georgina tinha uma grande devoção a Nossa Senhora de Fátima. Isso permaneceu em mim (entre tantas outras lembranças doces 💗). Não sou sempre assídua e dedicada na minha adoração, mas a Sua figura está sempre comigo e é com quem muitas vezes falo em tempos menos bons. A sua imagem tem sempre o poder de me comover e pensar em Maria dá-me uma paz inagualável. Mãe, olha por nós 🙏.

Acontece com frequência ser em Maio que tomo decisões mais definitivas, que inicío novos projectos ou que mudo de rumo. É portanto tempo de renovação e esperança. Quis o desenvolvimento da Pandemia que seja também em Maio que saímos finalmente do Estado de Emergência e que iniciamos a volta à normalidade possível. Tempo de respirar melhor e de voltar a encontrar os amigos, de vislumbrar novas aventuras, de planear férias, de (re)viver… Conto inscrever-me nos próximos dias para receber a primeira dose da vacina, outro passo essencial nesta re-conquistada esperança. Finalmente!

Maio é uma espécie de vestíbulo para o Verão e para as férias. É uma época fantástica que promete muito mais para os meses que se seguem, e isso é a descrição perfeita de “positividade”. É assim como degustar uma entrada maravilhosa à espera do prato principal e da sobremesa! Se imaginarmos a Natureza como um chef com estrelas Michelin que nos prepara esta experiência degustativa, a escolha de um bom vinho para a acompanhar é um direito (e um dever!) que nos assiste. Escolham bem!

E assim estou… viva, atenta e entusiasmada. Possa Maio abençoar os meus “projectos” mais imediatos!

E para vocês? Que esperanças vos traz Maio?

Quero (tão simplesmente) ir!

Fiz parte daquele clube das pessoas que têm medo de voar. Durante demasiados anos tive de me obrigar a ultrapassar o medo e muitas vezes viajei, mesmo que em estado de pânico. As minhas obrigações profissionais assim o exigiam e, ou ultrapassava o medo ou ía acompanhada por ele, não tinha alternativa. E como toda a gente sabe, a necessidade aguça o engenho.

Lembro-me bem da ansiedade crescente nos dias antes de viajar, da falta de apetite, da mente à procura de (boas) razões para não ir, dos sonos mais agitados. No dia da viajem estaria espantosamente calma (isto acontece-me com frequência, o nervoso desaparecer na altura certa) até ao momento de entrar no avião. Sentar-me-ia no meu lugar e fecharia os olhos para entrar numa espécie de meditação. Mas como sabemos a altura do embarque num avião é tudo menos um momento tranquilo, e então começaria progressivamente a sentir os sintomas da ansiedade galopante. Seria altura de colocar em prática algumas técnicas para me acalmar: respirar fundo e compassadamente, pensar em algo agradável, tentar ler um artigo interessante, ouvir música ou simplesmente fixar a minha atenção num ponto à minha frente e concentrar-me. Às vezes ajudava… outras vezes não.

Recordo uma ocasião particularmente difícil (já não me lembro para onde ía) em que fiquei num daqueles lugares de frente para uma das tripulantes que se sentou para a descolagem. O “portas em armed” já tinha soado e eu tinha começado a hiperventilar e estava a fazer em esforço enorme para me controlar. Na minha cabeça uma voz gritava: “diz que queres sair, diz agora!” Tenho a certeza que a minha cara dizia tudo; lembro-me da hospedeira a olhar fixamente para mim e sorrir tranquilamente durante a descolagem. Quando o sinal para se levantar soou aproximou-se mais e perguntou-me se me podia trazer um copo de água. Super querida!

Photo by Unplash

Teria muitas situações mais ou menos caricatas para vos contar destes anos em que sofri desta fobia, mas prefiro dizer-vos que a persistência e paciência resultaram comigo. Lentamente fui perdendo o medo. Primeiro, o daquele momento em que as portas se fecham que acho que apontava para um certo grau de claustrofobia a adicionar à inevitabilidade de ter de ir, e depois a pouco e pouco das outras situações que me criavam stress: a turbulência, os avisos do comandante para apertar os cintos, qualquer som ou situação inesperada que me faziam ficar em alerta máximo, … Lembro-me que estava constantemente atenta e a analisar o comportamento da tripulação para ver se detetava qualquer sinal de preocupação. O fato de os ver calmamente a fazer as suas tarefas fazia-me sentir mais segura.

Bom, a boa notícia é que este medo paralisante desapareceu. Não vou dizer que adoro a ideia de estar com os pés longe do chão, ou que não tenho qualquer sinal de ansiedade quando viajo, mas hoje em dia essa ansiedade que sinto é positiva, é de entusiasmo pela aventura. Continuo a manter o meu estado de alerta, tanto que é quase impossível dormir durante um vôo se não for com uma “ajudinha”. Mesmo os episódios de turbulência já não me stressam particularmente e por vezes sou eu a tranquilizar passageiros em pânico que viajam perto de mim.

Isto tudo para dizer que fico feliz de ter persistido nesta luta e que não imagino a minha vida condicionada por esse medo, tanto profissional como privadamente. E para os que não o conseguem sozinhos, existem uma série de programas que ajudam a ultrapassar o medo de voar. Eu diria que os resultados esperados ultrapassam largamente o investimento de força de vontade.

A Pandemia veio fechar-nos todos em casa e impossibilitar-nos de viajar como estávamos habituados. Se no início até foi uma positivo poder parar um bocadinho em casa e desacelerar de tanta ida, dois anos é tempo demais! Já há algum tempo que estou a ressacar de ir a algum lado, de entrar num avião e finalmente ouvir: “boarding completed”!

Tenho uma lista de locais que quero conhecer nos próximos tempos, em trabalho ou em lazer, acompanhada ou sozinha. É um dos privilégios que tenho e que quero manter: o de poder conhecer locais e culturas diferentes, ou o de poder sair da minha zona de conforto e experienciar novas sensações, sabores, cheiros, …

Já estive nos Estados Unidos e conheço a cidade de São Francisco bastante bem, mas nunca tive a oportunidade de ir a Nova Iorque, por exemplo. Está no topo da minha lista de locais a visitar. Assim como gostaria muito de conhecer parte da Florida, Key West, Miami, os Everglades. Um destes dias também quero ir fazer a Route 66, mas esta experiência quero ter em boa companhia. A mais curto prazo planeio visitar os meus amigos Rodrigues perto de Chicago, visita essa que o bicho maldito veio atrasar.

Ultimamente tenho pensado em “dar um saltinho” até Marrocos para visitar Marraquexe e Fez. Entusiasma-me a cultura e a possibilidade de mergulhar nas suas vivências, visitando os souks e provando a sua gastronomia. Também me entusiasmam os seus belos hoteis com a possibilidade de usufruir de verdadeiros programas de relaxamento num spa de sonho. A Capadócia também tem estado na minha cabeça. Já estive várias vezes em Istambul, que aconselho vivamente, mas nunca fui para lá da cidade. Parece-me muito aliciante fazer um daqueles passeios de balão de ar quente a apreciar as formações rochosas e povoações típicas. E já agora mergulhar naquelas piscinas naturais de origem calcária! (Photos by Unplash)

Falei-vos recentemente da minha última viagem antes da Pandemia, a Oslo. Serviu-me para me abrir o apetite por conhecer mais da cultura Escandinava e visitar as belezas naturais dos Fiordes. Vejo-me a passar uma semana a calcorrear campos e vilarejos apreciando a beleza natural destes países. Neste tipo de viajem está também a vontade de conhecer a Ingaterra e Escócia profundas, as suas tradições e superstições.

Já no campeonato de locais de praia paradisíacas e férias de descanso, ainda tenho de ir às Maldivas antes que se afundem. Não sou pessoa para ficar 10 dias parada no mesmo sítio, mesmo que seja para relaxar numa espreguiçadeira o dia todo ou dar longos e resfrescantes mergulhos naquelas águas de cor incrível. Mas de vez em quando sabe bem desligar de tudo e entrar em modo “slow living”. Também esta viagem é para ser feita em (muito) boa companhia.

Photo by Unplash

O Oriente fascina-me e para esses lados nunca fui. São tantos os sítios que gostaria de conhecer por lá que até é difícil fazer uma lista: Índia no geral, Grande Muralha da China, Japão com as suas metrópoles, zonas rurais, templos e jardins, Myanmar, Cambodja, Nepal, … Vou precisar de mais uma vida para conseguir conhecer tudo! Para estas viagens já me vejo a ir sozinha, só com uma mochila com roupa e artigos essenciais e ir ficando em locais pitorescos. Mas limpos e confortáveis, que já não tenho paciência para o romantismo das dormidas no chão e ao relento. Ah! E tenho a exigência absoluta de uma casa de banho decente.

De momento não me sinto tão atraída pelo Médio Oriente e África. O primeiro porque não me apetece ter de cumprir regras culturais imcompreensíveis para mim, e o segundo porque já visitei alguns países: África do Sul, Moçambique, Quénia, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Egipto. Claro que há ainda muito mais que quero conhecer por lá, pelas suas relíquias naturais e culturais, mas não sería a minha prioridade imediata.

Como já perceberam, estou definitavemente em modo de ir, seja para onde for. Que possamos em breve poder retomar as nossas vidas e sonhos!

Carla

PS: adoraria saber das vossa viajens de sonho!

Informação aqui sobre programa Ganhar Asas da TAP.