Resolvi parar por uma semana e gozar umas muito merecidas (eu acho!) mini-férias. Aparentemente tinha usado de proactividade em marcar férias na altura dos feriados de Junho, logo no início do ano, e depois esqueci-me! Acordei para a realidade a poucos dias de iniciar a pausa calendarizada e confesso que achei logo que não dava jeito nenhum, que tinha imenso que fazer e reuniões importantes agendadas e, blá, blá, blá. Conhecem o discurso, certo? Mas rapidamente me lembrei do quanto estou saturada das quatro paredes do meu “home office”, de que já não me posso ver nas reuniões virtuais (já me bloquei do meu próprio écran!), que já passou muito tempo desde a última pausa e que já prometi muitas vezes a mim mesma que teríamos umas férias a dois! Eu e minha pessoa.
Depois de colocar as minhas capacidades de (auto) negociação em ação, acordei que manteria a primeira semana de férias e cancelaria a segunda. Ganhámos as duas! 😂😂 E logo me propus a sair de casa, a realmente mudar de ares e deligar por uns dias. Encontrei um sítio de turismo rural no Algarve muito agradável e em conta, e com tudo o que gosto: tranquilidade, piscina, bom gosto e próximo da praia. Ah! E com pequeno-almoço incluído, que de férias há que mandar o jejum intermitente às urtigas!
O local é tudo aquilo que promovia e estou a adorar (partilharei o local nas páginas do Face e Insta). Só tem um senão… fica demasiado perto do enclave britânico em Portugal: Albufeira.
Deixem-me já deixar bem claro que não tenho nada contra os ingleses, ou qualquer outro povo, já agora. Portugal vive do turismo e eu gosto de ver visitantes no nosso lindo País. Sou daquelas tontinhas que meto conversa com os estrangeiros para lhes sugerir locais a visitar e experiências a terem, de forma a saborearem convenientemente este fantástico cantinho; e também passo a vida a conselhar os meus colegas de todos os países para nos visitarem! Agora… enquanto em Portugal gosto de me sentir em casa, e não numa realidade paralela onde tenho a vívida sensação que o meu comportamento é desadequado e desenquadrado! Porque aqui é isso que se passa, somos estrangeiros na nossa própria terra.
Passo a explicar… já não me refiro ao que já todos nos habituámos: nomes de establecimentos e reclamos em inglês, ementas em inglês, menus pensados para os outros gostos, preços a condizer, má cara em atender os portugueses, bares de karaoke por todo o lado com “música” em alto volume, os “english breakfast”(destes até gosto!) servidos em qualquer tasco , etc. Não, não me queixo do habitual. Este ano temos a novidade das regras pandémicas para residentes e estrangeiros.
Estão todos recordados da obrigatoriedade no uso de máscara em locais públicos, nos acessos às praias e apoios das mesmas, dentro dos establecimenmtos e assim por diante, certo? Pois…depende. Para os portugueses sim, para os turistas não. Ninguém, sublinho, ninguém cumpre as regras em vigor! Desde que cheguei só consegui cruzar-me com duas senhoras inglesas que passeavam na rua de máscara. E olhei para elas com ar desconfiado! Que é precisamente o que toda gente faz comigo, os que se cruzam comigo na rua; olham para mim com um ar interrogativo como se perguntassem o que tenho de errado (por estar de máscara)! Os portugueses com que me cruzo parecem estar a sofrer da mesma perplexidade e indecisão que me tem assolado: ora colocam ora tiram a máscara; na maioria das vezes vai colocada nos pescoço ou pendurada numa orelha não vá terem de mostrar que estão a cumprir as normas.
Enfim, ainda bem que se lembraram de fazer aqueles kits de boas-vindas que entregam aos turistas quando chegam ao aeroporto de Faro. Dinheiro muito bem gasto. Imagino-os a levarem a recordação com eles para mostrarem como curiosidade aos que não puderam viajar! 🙄🙄
Recordam-se ainda das regras anunciadas para a época balnear? Nomeadamente da estrita proibição de jogos de bola nos areais? Pois… no caso de falarem português, sim. Hoje um grupo de cerca de 15 ingleses que partilharam um areal relativamente pequeno comigo ( e com mais uma meia-dúzia de outras pessoas) jogou alegremente e ruidosamente uma futebolada com direito a balizas marcadas com raquetas. O banheiro da praia não só assistiu à partida como rejubilou com eles. Quando se cansaram do jogo, usaram as raquetas para mais umas atividades lúdicas de bater bolas. Se a pontaria falhava e as bolas aterrassem em cima de alguém ou no “espaço de segurança” de algum banhista, sem problema, vai-se lá alegremente a gritar: “sorry! Excuse me!” Ah! E nas esplanadas isso do limite de pessoas por mesa é um conceito para português ver, claro.
Uma realidade que me tem surpreendido: polícia e forças da autoridade nem vê-las! Não se vislubram em lado nenhum. Não posso falar das horas mais tardias, porque por aí nem me aventuro. Tenho optado por permanecer no cantinho abençoado que aqui encontrei. Mas não deixa de ser estranho na época que atravessamos que as atividades e comportamentos não sejam fiscalizados.
Pronto, é o que temos! Vim para descansar e pretendo fazer isso mesmo, seja em “território” português ou em terras da Sua Majestade! Da minha parte continuarei, obviamente, a cumprir as regras sanitárias. Não defendo de forma alguma que devemos ter a mesma “liberdade” para a polulação portuguesa e aplicada em todo o território. As autoridades devem ter um plano qualquer… se isto correr muito mal por aqui podem sempre isolar a área e declarar o Algarve uma “bolha” britânica.
Mas já agora não deveríamos nos candidatar à Commonwealth? Penso que existem alguns benefícios económicos e sociais e talvez ainda vamos a tempo de receber a visita da Lilibet!
God Save the Queen!
Carla (de férias!)









