A nossa Portugalidade

Não há dúvida que este é um tema atual por muitos e (na maioria das vezes) bons motivos. À hora que escrevo estas linhas encontro-me como a grande maioria dos portugueses, nervosa e ansiosa com o jogo Portugal-França desta noite. Não sou uma grande fã de futebol ou de campeonatos desta modalidade, mas sinto o bicho de apoiar (incondicionalmente) a minha, nossa seleção. Sinto um orgulho enorme em ver o nosso País a competir a tão alto nível, seja no futebol ou em qualquer outra modalidade do desporto, seja numa modalidade artística ou no campeonato de corrida de carrinhos-de-linha! (E aposto que existe tal coisa em qualquer parte deste Mundo louco.)

Sinto que esta capacidade de nos unirmos por uma causa maior, pelo nosso País, é uma característica talvez não única mas muito distintiva. Nós defendemos os nossos até à irracionalidade, mesmo que secretamente até achemos que estivemos mal. Não entre nós e cá dentro, não. Entre patrícios dizemos muito mal do que fazemos (mesmo quando os outros nos elogiam), mas para fora somos sempre os maiores, e “Ai” de quem disser o contrário. Para defendermos a nossa Portugalidade somos capazes dos atos mais heróicos desenterrando argumentos elaborados e embelezados. Não vejo isso acontecer com a maioria dos outros países , pelo menos entre os não-latinos. E claro que podemos debater se isso é uma qualidade ou é simplemente imbecil. Podemos defender que sermos mais imparciais em relação aos nossos feitos, e à falta deles, pudesse ser mais benéfico para Portugal a médio e longo prazo. Poder, podia…mas não sería a mesma coisa!

Ainda hoje conversava com alguém sobre esta mania tão portuguesa de dizermos mal do que fazemos, de nos sentirmos uns coitadinhos, de estarmos constantemente “de mão estendida”… Lá está, entre nós comportamo-nos muito assim, mas perante uma comparação menos simpática ou uma crítica (destrutiva) de um forasteiro, erguemo-nos orgulhosa e valentemente e defendemos a nossa maneira de ser e de aparecer! E se gostam gostam, senão… ide-vos $#”@?!

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Á medida que fui ganhando mais experiência (as voltas que eu dei para não escrever “com a idade” 😂😂) fui-me tornando menos combativa e argumentativa com as críticas que me são dirigidas e também menos aguerrida na defesa de algumas ideias. Aprendi que nem sempre vale a pena e há que gerir esforços, e que vivo bem com o fato de não agradar a alguns. Mas na defesa da minha (nossa) Portugalidade, nunca! Posso passar horas a bater bolas até ganhar o reconhecimento por um feito qualquer de um compatriota, ou para demonstrar que houve uma estratégia inteligente e bem executada por detrás de uma qualquer ação de um português. Até me podem tirar de Portugal, mas não podem tirar Portugal de mim!🤷‍♀️

Esta Portugalidade está presente em muitas situações. Quem não se revê no prazer (quase infantil) de estar de visita a locais longínquos e repentinamente ouvir alguém falar a nossa língua?! De olhar para o turista ao lado e vermos ali um patrício a sorrir-nos… fazemos logo ali mais um amigo! Ou até de praticarmos zapping na TV de um qualquer hotel nos confins do Mundo e cairmos num canal português… Ahhhhhhhh! até parece que conseguimos cheirar e saborear Portugal.

Ouvimos muito que somos provincianos, “pequeninos”, pouco abertos a outras experiências e vivências, como contra-argumento para este gosto em reconhecer o que é nosso. Não concordo, de todo!

Nunca fomos pequeninos. Temos um território relativamente pequeno no mapa e não somos muitos a habitar esse espaço, mas somos enormes na nossa história, cultura (mais no passado, verdade seja dita) e ambição! Temos portugueses espalhados pelos quatro cantos do Mundo, a nossa Língua vigora entre as mais faladas (ainda mais se olharmos para quão poucos realmente somos), temos património cultural reconhecido globalmente, somos considerados com um destino turístico de excelência e como um dos países mais seguros para se viver, somos produtores de vinhos excelentes, produtores número um de cortiça, temos cientistas e conhecimento técnico de excelência, …. e muitos mais! E claro… o papel que nunca pode ser esquecido; o dos nossos Descobridores, que abriram caminhos e rotas que ligaram os Continentes. Tudo conseguido por estes provincianos que habitam um cantinho da Europa.

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Tivéssemos nós a capacidade de união, como temos de sentimento patriótico. Houvesse um pouco mais (não excesiva!) de capacidade e vontade de organização, associativismo e inicitiva para colocar em prática o que acreditamos ser possível. E nada nem ninguém nos parava.

Normalmente opto por não assistir aos jogos da seleção. Para não me enervar tanto e até por uma parva superstição. Mas hoje vou estar de olhos postos no écran de uma qualquer TV, vestida com as cores da nossa bandeira, e o meu coração vai acelarar à cadência dos arranques do Cristiano. Porque não acho que mereçamos fazer contas de somar “a ver se passamos” e porque sinto que temos uma energia como povo que tem de ser canalizada para o bem. E se apoiar a seleção for uma forma de avivar e canalizar essa energia, assim seja! Que vençamos os jogos, que cheguemos à final e que tragamos o caneco! E depois meus amigos, vamos atrás do que merecemos!

Vamos com tudo!

Carla

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