Quando a cabeça tira férias

Férias é tempo de descanso e de reflexão. De balanços e planos para o mais imediato, pelo menos para mim. Quando o ritmo abranda e o corpo relaxa abre-se espaço para a mente reflectir, divagar, sonhar. E como sabemos, o sonho comanda a vida!

Este ano tenho dado por mim a usar esse “espaço a mais” de mente (sim, porque a meditação e “ausência de pensamento” não parecem ser objectivos que alguma vez alacançarei…) para sonhar com o que quero fazer nos próximos tempos: viajar, ver, conhecer, experimentar, viajar, sentir, saborear, … e já mencionei viajar? Interessante como a cada ano que passa cresce a lista de onde ainda quero ir. Não seria mais normal ser ao contrário?!

 Photo by Julian Hochgesang on Unsplash

Sempre me conheci assim, com sede de fazer e acontecer, e tenho a grande vantagem de raramente ver uma meta como inalcançável. Chamem-lhe otimismo intrínseco ou simplesmente falta de noção; a verdade é que de vez em quando surpreendo-me a conseguir alcançar mais uma vontade, mais um sonho. Por isso acredito que não há muitos impossíveis, há somente vontades mais imediatas e fáceis de alcançar do que outras.

A independência material foi das primeiras metas que persegui e alcancei, muito impulsionada pelos exemplos do que não queria para mim mas também por ver esse passo como fundamental para poder perseguir outros horizontes. Já a independência emocional deu-me muito mais trabalho e veio muito mais tarde… se é que a alcancei de todo. Todos temos uma história. E a minha custou-me medos e fragilidades que me impediram de me bastar a mim própria por bastante tempo; custou-me a procura incessante de suporte emocional nos outros e de usá-los como “bengala” para o meu bem-estar. Mas como de costume, quando algo se nos apresenta como inevitável… descobrimos o caminho que até aí era invisível.

Para aprendermos a voar é preciso saltar no vazio. Foi também assim comigo. Quando te obrigas a encarar os teus medos de frente, a dar o passo que sabes necessário mas que tanto te assusta… cresces e voltas a acreditar que tudo é possível. E não há melhor sensação no Mundo do que a de acreditar que só dependes de ti mesma. Não há melhor bem do que a de liberdade incondicional!

Já tenho uma mini lista de desafios novos para abraçar no pós-férias. De todos os tipos: de lazer, de aprendizagem, profissionais, relacionados com associativismo e civismo, de interiorização… de tudo um pouco. A maior parte implementarei, um ou outro cairão por terra. Mas é da vontade que se cria movimento.

Partilho a lista de locais a visitar: Indonésia, Marrocos, Rússia, Capadócia, Jordânia, Jerusalém, Maldivas, Canadá e vários locais nos Estados Unidos. Poucos assim, só para (re-)começar 😊. A Indonésia está já programada para 2022 e vai ser uma aventura em todos os sentidos porque irei acompanhada por pessoas que não conheço, com uma agenda que não terá sido construída por mim, contactar com uma realidade muito desafiante. Conto os dias que faltam!

Marrocos também poderá acontecer em breve, assim a pandemia o permita. A companhia já tenho e o programa está por definir. Gostava de ir a Casablanca, Marraquexe e Fez, conhecer os souks e mesquitas. Talvez dormir no deserto. Quero mergulhar na cultura, saborear e cheirar e antevejo um caleidoscópio de cores, calor na pele, um ruído constante de sons e vozes, sabor a menta e picante.

A viagem à Capadócia já esteve quase marcada. Espero fundir a vontade de voar em balão de ar quente com a visita a este local apaixonante. Adorei o que já conheci de Istambul e da Turquia, pelo que a expectativa é elevada. Talvez ainda em 2021…

Estamos todos no mesmo barco ao ter esperança num renascimento pós-pandemia. Está cada vez mais perto o dia em que deixaremos cair as máscaras e voltaremos a abraçar e beijar sem restrições. A mover-nos ao sabor da nossa vontade. A rever amigos e colegas. Se há alguma coisa de bom a tirar deste ano e meio de liberdades canceladas, talvez seja o de termos despertado para o encontrar a luz nas pequenas coisas que se nos apresentam, viver o momento e apreciarmos mais quem nos rodeia.

Já vos tinha falado da promessa que fiz a mim mesma de passar os próximos 10 anos a satisfazer as minhas curiosidades e vontades e de me sentir feliz com o que sou e tenho. Tenciono cumprir esta promessa!

Carla

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