Janeiro 2020. Estávamos tão longe de saber o que aí vinha para alterar a vida como a conhecíamos. Viajei para uma semana de trabalho e resolvi ficar para conhecer a cidade durante o fim de semana. Abençoada decisão! Oslo revelou-se uma cidade moderna, acolhedora e entusiasmante. E cara, terrivelmente cara!
A verde e respirável capital da Noruega tem cerca de 600.000 habitantes numa área que ronda os 450 km2 (Lisboa tem à volta de 500.000 habitantes em 100 km2) e fica situada na ponta de um dos lindos fiordes pelos quais este País é conhecido. Como imaginam um fim de semana não permitiu conhecer tudo o que gostaria, por isso foquei-me na cidade e deixei os fiordes e paisagens naturais para uma oportunidade futura.
Instalei-me num pequeno hotel mesmo no centro da cidade, o que me permitiu caminhar para muitos locais e facilmente encontrar um transporte público para pontos mais distantes. Vale muito a pena adquirir online um passe da cidade, por ser uma alternativa económica e conveniente com acesso gratuito a transportes públicos e entradas em museus. Dica importante antes que me esqueça: existe um comboio muito conviniente (Flytoget Airport Express Train) em preço e horários, que faz a ligação do aeroporto ao centro da cidade. Não sigam o meu exemplo que fiz a viagem para a cidade de táxi e tive um primeiro embate doloroso na carteira!
Mesmo no centro da cidade, junto à ponta do fiorde de Oslo, encontra-se a Ópera de Oslo (Den Norske Opera & Ballett, Operahuset), o centro de artes performativas mais importante do país. É um edifício lindo e moderno inaugurado em 2008 e um símbolo imponente da arquitetura contemporânea. É um local muito aprazível de se visitar e aproveitar para conhecer o cartaz cultural da cidade. Tem um café muito simpático no interior e uma lojinha com artigos de ballet e dança onde me perdi durante algum tempo 🙂
Oslo é também conhecida pelos seus parques e museus. Na península de Bygdøy a cerca de 20 min de autocarro do centro da cidade, pude visitar o Museu dos barcos Viking (Vikingskipshuset) onde se podem ver este tipo de embarcações mais bem preservadas no Mundo. Foi muito interessante poder saber mais sobre como viviam estes povos e observar os barcos e outros utensílios da época.
Muito perto deste encontra-se o museu norueguês de História Natural (Norsk Folkemuseum), um recinto a céu aberto. Neste agradável parque podem ser visitados 160 edifícios que contam a história deste povo e do desenvolvimento do país, e perceber mais da sua cultura e vivências das suas gentes. Tudo está muito bem preservado e limpo, não fossemos estar num dos países mais organizados e asseados que já visitei!
No verão os visitantes deste museu ao ar livre são recebidos por figurantes vestidos com trajes tradicionais e existem muitas atividades para as crianças.
Todas as capitais na Europa têm um Palácio, seja ele ainda habitado pela realeza ou não. O de Oslo é um Palácio Real (Det kongelige slott) bonito e despretensioso, como tudo na cidade. É a residência oficial dos reis Harald e Sonja da Noruega e fica no final de uma das Avenidas principais, a Karl Johans Gate. Também aqui se pode assistir ao render da guarda do Palácio.
Não poderia falar de Oslo sem referir o “Nobel Peace Center“, onde se encontra toda a informação sobre os prémios Nobel da Paz, prémio este que é celebrado e entregue na Noruega. Apesar de Alfred Nobel ter nascido na Suécia e os outros prémios Nobel serem attibuídos nesse país, ficou em testamento que o prémio para a Paz deveria ser entregue na Noruega. O primeiro prémio desta categoria foi atribuído em 1901 e é celebrado anualmente a 10 de Dezembro.
Este museu é um ponto obrigatório para quem se interessa pela História Mundial e pelas figuras de destaque na defesa e promoção da Paz . Está muito bem organizado (já referi que em Oslo é tudo tão organizado que até chateia?) e vale a visita. A sala central tem uma visualização cronológica de todos os galardoados.
Oslo é uma cidade surpreendente em muitos aspetos. Em cada canto somos agraciados com edifícios históricos , arquitetura marcante , manifestações de arte, ou simplesmente o ambiente relaxante e acolhedor (e organizado…já disse, certo?). Uma das formas de melhor apreciar o “bater do coração” desta cidade é sentarmo-nos num dos muitos cafés ou restaurantes com vista para a rua e, também calmamente, apreciar o viver dos seus habitantes.
Países nórdicos são também sinónimo de neve e desportos de inverno. Já sabem que sou uma apaixonada do ski e por isso não pude deixar de guardar a manhã de domingo para visitar uma conhecida estância de saltos de ski, situada a curta distância da cidade: Holmenkollen. Só a viagem de carruagem elétrica vale pela vista enquanto subimos em altitude e vislumbramos o Fiorde de Oslo. Tudo na mais perfeita tranquilidade. Porque a calma e a organização daquela gente é de enlouquecer!
Chegados a Holmenkollen fiquei desiludida porque as condições atmosféricas não permitiram ver grande coisa. Mas deu para experimentar a sensação de descer a pista de saltos num simulador. Brutal!
Apesar de ser uma cidade dispendiosa, em Oslo conseguem-se hoteis e restaurantes muito centrais a preços acessíveis. São na sua grande maioria de design moderno, prático e despretensioso, mas sempre muito confortáveis e funcionais. Espero ter conseguido entusiasmar-vos a conhecer esta capital nórdica onde me senti muito bem recebida.
Gostei muito de conhecer Oslo e mal posso esperar para voltar para explorar as maravilhosas paisagens da Noruega! Fiordes, esperem por mim!
Carla





















