Com alguma frequência dou por mim a reflectir sobre o que é que constantemente procuramos; o que perseguimos de forma incessante. Será mesmo uma busca pela felicidade? O que é isso, a felicidade? E será alcançável? Vamos partir do pressuposto que sim; então e depois? O que fica para fazer uma vez alcançada essa famigerada felicidade? Com o que nos ocupamos (e preocupamos) a seguir? O que poderia fazer uma pessoa total e absolutamente feliz, realizada, já agora? O conceito de “ser feliz” traz-me muitas perguntas.
Estou convencida que cada um de nós tem metas distintas a alcançar e sonhos próprios a realizar, e também por isso o conceito de felicidade é muito individual e personalizado. Muita gente diria que a sua felicidade plena passaria por ter dinheiro em abundância (quanto, exatamente?) para poderem adquirir os artigos e experências com que sonham, uma ou mais casas espaçosas, possibilidade para disfrutar de viagens entusiasmantes e conhecer locais novos, ou talvez usufruir de uma determinada posição social. Outras acrescentariam ainda poderem gozar de uma saúde de ferro e terem as pessoas certas ao seu lado. Outras tantas seriam bastante mais pragmáticas (e ajuízadas) e admitiriam que seriam totalmente felizes se pudessem contar com uma família unida em que todos gozassem de saúde, se tivessem um trabalho sólido que os preenchesse, se morassem numa casa confortável e tivessem recursos financeiros para fazerem umas quantas loucuras e viagens por aqui e acolá.
Está claro que a relatividade de tudo isto liga-se com a situação em que se encontra cada pessoa… se está sem trabalho, provavelmente o seu ideal de felicidade passa por arranjar um bom emprego; se está enfermo, sentir-se-á feliz por ter o seu problema de saúde resolvido; se sonha em ser pai ou mãe, a sua felicidade será plena quando esse sonho se concretizar… e assim por diante. Será assim tão simples? Nem por sombras! A famosa música do António Variações aplica-se muito bem neste contexto. No que á sensação de felicidade diz respeito acredito que a esmagadora maioria de nós “só está bem onde não está” e nos identificamos com o “quero sentir ao chegar vontade de partir para outro lugar”.
Sou uma permanente insatisfeita, ou melhor, costumava ser. Nos últimos tempos tenho feito um esforço consciente (e titânico) para contrariar a minha inata ansiedade de viver, de querer chegar depressa e mais além, de ter mais depressa o que sei que está para vir e experienciar o que ainda não senti. Sempre com pressa. Alguém se reconhece?

Não sou uma pessoa de solidões ou que me sinta completa enquanto sozinha. Nunca fui, nunca serei. Mas apreendi a gostar dos meus momentos a sós acompanhada únicamente pelos próprios pensamentos, tantas vezes ruidosos demais. Precisamos de tempo e recolhimento para “baixar o volume” desse barulho ensurdecedor, o da própria ansiedade por (sempre) mais. Venho a descobrir que o meu conceito de felicidade está em estreita ligação com a paz que se consegue quando (finalmente) o barulho acalma e passamos a disfrutar da pensamentos em surdina, ou mesmo de total ausência de pensamento. Se alguém alguma vez experienciou não conseguir dormir por dias seguidos devido ao próprio “barulho mental”, vai perceber o que descrevo.
Se a “felicidade” fosse o mesmo que “serenidade”, diria que já a teria alcançado várias vezes ainda que por breves momentos. Na serenidade e tranquilidade de manhãs calmas e preguiçadas, de dias arrastados no prazer de apenas sentir e viver o momento, nas horas em auto-mimo e reflexão. Mas isso não nos basta para sempre, infelizmente. Pelo menos a mim não me basta e em menos de nada lá vou outra vez para a intranquilidade e excitação da procura!

Como toda gente procuro e persigo a felicidade, e tudo bem. O problema está em saber qual a forma e rosto dessa figura que persigo. Como a reconheço? Quando lá chegar vou saber que cheguei? Então e depois? Ou será esse mesmo o plano divino, do Arquiteto de tudo? Será o seu plano que estejamos constantemente ocupados a procurar sem nunca alcançar, permanecendo assim totalmente envolvidos com a Vida e com a busca pelo Santo Graal da Felicidade?!!
Por agora estou feliz porque as miúdas estão a chegar. Um momento de cada vez…e que possamos disfrutar da busca!

“…Vou continuar a procurar a minha forma, o meu lugar, porque até aqui eu só estou bem aonde não estou…”
Carla

Sempre ouvi dizer que a Felicidade não existe. O que existem são momentos felizes. E o mais importante nesta passagem é coleccionar o maior número possível desses pequenos ou grandes momentos.
Parabéns por mais um texto fantástico 👏👏👏
GostarLiked by 1 person
Concordo contigo. Que possamos ter cada vez mais momentos felizes 🙂
Obrigada pelo feedback!
GostarGostar
Só posso dizer, que, como no amor, quando nos apaixonamos sabemos o que é o amor, quando atingires a felicidade saberás que a alcançaste. Mas continua a tua demanda, por vezes a vida surpreende-nos.
GostarGostar