Quero (tão simplesmente) ir!

Fiz parte daquele clube das pessoas que têm medo de voar. Durante demasiados anos tive de me obrigar a ultrapassar o medo e muitas vezes viajei, mesmo que em estado de pânico. As minhas obrigações profissionais assim o exigiam e, ou ultrapassava o medo ou ía acompanhada por ele, não tinha alternativa. E como toda a gente sabe, a necessidade aguça o engenho.

Lembro-me bem da ansiedade crescente nos dias antes de viajar, da falta de apetite, da mente à procura de (boas) razões para não ir, dos sonos mais agitados. No dia da viajem estaria espantosamente calma (isto acontece-me com frequência, o nervoso desaparecer na altura certa) até ao momento de entrar no avião. Sentar-me-ia no meu lugar e fecharia os olhos para entrar numa espécie de meditação. Mas como sabemos a altura do embarque num avião é tudo menos um momento tranquilo, e então começaria progressivamente a sentir os sintomas da ansiedade galopante. Seria altura de colocar em prática algumas técnicas para me acalmar: respirar fundo e compassadamente, pensar em algo agradável, tentar ler um artigo interessante, ouvir música ou simplesmente fixar a minha atenção num ponto à minha frente e concentrar-me. Às vezes ajudava… outras vezes não.

Recordo uma ocasião particularmente difícil (já não me lembro para onde ía) em que fiquei num daqueles lugares de frente para uma das tripulantes que se sentou para a descolagem. O “portas em armed” já tinha soado e eu tinha começado a hiperventilar e estava a fazer em esforço enorme para me controlar. Na minha cabeça uma voz gritava: “diz que queres sair, diz agora!” Tenho a certeza que a minha cara dizia tudo; lembro-me da hospedeira a olhar fixamente para mim e sorrir tranquilamente durante a descolagem. Quando o sinal para se levantar soou aproximou-se mais e perguntou-me se me podia trazer um copo de água. Super querida!

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Teria muitas situações mais ou menos caricatas para vos contar destes anos em que sofri desta fobia, mas prefiro dizer-vos que a persistência e paciência resultaram comigo. Lentamente fui perdendo o medo. Primeiro, o daquele momento em que as portas se fecham que acho que apontava para um certo grau de claustrofobia a adicionar à inevitabilidade de ter de ir, e depois a pouco e pouco das outras situações que me criavam stress: a turbulência, os avisos do comandante para apertar os cintos, qualquer som ou situação inesperada que me faziam ficar em alerta máximo, … Lembro-me que estava constantemente atenta e a analisar o comportamento da tripulação para ver se detetava qualquer sinal de preocupação. O fato de os ver calmamente a fazer as suas tarefas fazia-me sentir mais segura.

Bom, a boa notícia é que este medo paralisante desapareceu. Não vou dizer que adoro a ideia de estar com os pés longe do chão, ou que não tenho qualquer sinal de ansiedade quando viajo, mas hoje em dia essa ansiedade que sinto é positiva, é de entusiasmo pela aventura. Continuo a manter o meu estado de alerta, tanto que é quase impossível dormir durante um vôo se não for com uma “ajudinha”. Mesmo os episódios de turbulência já não me stressam particularmente e por vezes sou eu a tranquilizar passageiros em pânico que viajam perto de mim.

Isto tudo para dizer que fico feliz de ter persistido nesta luta e que não imagino a minha vida condicionada por esse medo, tanto profissional como privadamente. E para os que não o conseguem sozinhos, existem uma série de programas que ajudam a ultrapassar o medo de voar. Eu diria que os resultados esperados ultrapassam largamente o investimento de força de vontade.

A Pandemia veio fechar-nos todos em casa e impossibilitar-nos de viajar como estávamos habituados. Se no início até foi uma positivo poder parar um bocadinho em casa e desacelerar de tanta ida, dois anos é tempo demais! Já há algum tempo que estou a ressacar de ir a algum lado, de entrar num avião e finalmente ouvir: “boarding completed”!

Tenho uma lista de locais que quero conhecer nos próximos tempos, em trabalho ou em lazer, acompanhada ou sozinha. É um dos privilégios que tenho e que quero manter: o de poder conhecer locais e culturas diferentes, ou o de poder sair da minha zona de conforto e experienciar novas sensações, sabores, cheiros, …

Já estive nos Estados Unidos e conheço a cidade de São Francisco bastante bem, mas nunca tive a oportunidade de ir a Nova Iorque, por exemplo. Está no topo da minha lista de locais a visitar. Assim como gostaria muito de conhecer parte da Florida, Key West, Miami, os Everglades. Um destes dias também quero ir fazer a Route 66, mas esta experiência quero ter em boa companhia. A mais curto prazo planeio visitar os meus amigos Rodrigues perto de Chicago, visita essa que o bicho maldito veio atrasar.

Ultimamente tenho pensado em “dar um saltinho” até Marrocos para visitar Marraquexe e Fez. Entusiasma-me a cultura e a possibilidade de mergulhar nas suas vivências, visitando os souks e provando a sua gastronomia. Também me entusiasmam os seus belos hoteis com a possibilidade de usufruir de verdadeiros programas de relaxamento num spa de sonho. A Capadócia também tem estado na minha cabeça. Já estive várias vezes em Istambul, que aconselho vivamente, mas nunca fui para lá da cidade. Parece-me muito aliciante fazer um daqueles passeios de balão de ar quente a apreciar as formações rochosas e povoações típicas. E já agora mergulhar naquelas piscinas naturais de origem calcária! (Photos by Unplash)

Falei-vos recentemente da minha última viagem antes da Pandemia, a Oslo. Serviu-me para me abrir o apetite por conhecer mais da cultura Escandinava e visitar as belezas naturais dos Fiordes. Vejo-me a passar uma semana a calcorrear campos e vilarejos apreciando a beleza natural destes países. Neste tipo de viajem está também a vontade de conhecer a Ingaterra e Escócia profundas, as suas tradições e superstições.

Já no campeonato de locais de praia paradisíacas e férias de descanso, ainda tenho de ir às Maldivas antes que se afundem. Não sou pessoa para ficar 10 dias parada no mesmo sítio, mesmo que seja para relaxar numa espreguiçadeira o dia todo ou dar longos e resfrescantes mergulhos naquelas águas de cor incrível. Mas de vez em quando sabe bem desligar de tudo e entrar em modo “slow living”. Também esta viagem é para ser feita em (muito) boa companhia.

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O Oriente fascina-me e para esses lados nunca fui. São tantos os sítios que gostaria de conhecer por lá que até é difícil fazer uma lista: Índia no geral, Grande Muralha da China, Japão com as suas metrópoles, zonas rurais, templos e jardins, Myanmar, Cambodja, Nepal, … Vou precisar de mais uma vida para conseguir conhecer tudo! Para estas viagens já me vejo a ir sozinha, só com uma mochila com roupa e artigos essenciais e ir ficando em locais pitorescos. Mas limpos e confortáveis, que já não tenho paciência para o romantismo das dormidas no chão e ao relento. Ah! E tenho a exigência absoluta de uma casa de banho decente.

De momento não me sinto tão atraída pelo Médio Oriente e África. O primeiro porque não me apetece ter de cumprir regras culturais imcompreensíveis para mim, e o segundo porque já visitei alguns países: África do Sul, Moçambique, Quénia, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Egipto. Claro que há ainda muito mais que quero conhecer por lá, pelas suas relíquias naturais e culturais, mas não sería a minha prioridade imediata.

Como já perceberam, estou definitavemente em modo de ir, seja para onde for. Que possamos em breve poder retomar as nossas vidas e sonhos!

Carla

PS: adoraria saber das vossa viajens de sonho!

Informação aqui sobre programa Ganhar Asas da TAP.

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