Não é propriamente um tema, não é importante para a Humanidade nem tem impacto (pelo menos não significativo) na vida de alguém a não ser na minha própria, não é atualidade nem está (só) relacionado com a Pandemia. Não é nada. Mas é sobre a minha neura que me apetece escrever hoje.
Sou uma pessoa positiva e animada por natureza, pelo que em 99,99% do tempo estou em modo alegre e sorridente. Mas todos nós temos uma lado lunar, como na música do Rui Veloso. E a minha Lua, quando chega, vem em fase Lua Cheia redondinha e brilhante visível de qualquer lado!
Comecei o dia da pior forma. No caminho para a escola da minha filha mais nova atropelei um pássaro que atravessava em vôo baixo a via rápida. Que imprudência a do bicho! E que estupidez a minha por achar que tinha de acelerar um bocadinho para a miúda chegar antes das 8.30. Se passasse uns milésimos de segundo mais tarde não o tinha apanhado e o bichinho teria seguido alegremente o seu vôo. Por outro lado, se tivesse pisado o acelerador só com um bocadinho mais de força… também o pobre tinha escapado. Mas não… infelizmente apanhei-o em cheio!
Quando cheguei ao destino fui, a medo, espreitar a frente do carro e lá estava um amontoado de penas pretas com umas patinhas no meio. Uma massa disforme entalada na grelha frontal do meu carro.
O segundo momento do qual me envergonho nas primeiras horas desta manhã foi quando tive de pedir a um pai que também deixava o filho na escola, para me dar uma ajuda a retirar o cadáver preso na grelha frontal do carro. Imagino alguns de vós a sorrirem e a pensarem: “claro, gajas…”. Lamento desapontar-vos mas sou normalmente muito prática e perfeitamente capaz de resolver qualquer assunto de forma autónoma. Por algum motivo senti-me incapaz de tocar no pobre animal, nem sei bem porquê.
Coitado. Estava totalmente defunto e era adorável. E o pai que me ajudou também foi adorável, já agora.
A sombra da minha neura foi uma daquelas presenças contínuas embora difusas durante todo o dia. A irritação fácil, a falta de paciência para os argumentos dos costume, a rotina inabalável de mais uma sexta-feira com os temas de sempre, a Pandemia que prevalece… Até a promessa de chuva que tanto me chateia mas que parece não passar de uma piada de mau gosto durante todo o dia. “Então? Chove ou não?!”
Nos últimos dias tenho andado particularmente entretida em aborrecer-me com o tema da vacina da AstraZeneca, e o drama à volta do “suspende-se ou não?” Não me vou alongar sobre o tema porque acho que já tudo foi dito e bem explicado sobre o tema. Precisamos de uma vacinação em massa contra a COVID-19 para podermos continuar a sonhar com a volta à “normalidade” nas nossas vidas.
Muito me têm irritado as teorias negacionistas e da suposta conspiração à volta da crise sanitária que nos atingiu globalmente. A pergunta que está sempre na minha cabeça é “perante a realidade que todos vivemos, como podem existir pessoas que a negam?”. Será que a triste evidência não lhes atravessa a barreira hemato-encefálica? Resolveram conscientemente viver em negação como estratégia de sobrevivência? Ou só são do contra, porque sim? IIIIIRRRRRRAAAAAAA!
Bom…adiante. Aposto que vão achar a irritaçãozinha que vos apresentarei de seguida como divertida, senão ridícula. Eu própria estou surpreendida com a minha reação ao tema, mas a verdade é que contribuiu para o astral de hoje.
Normalmente oiço a rádio Comercial quando estou no carro. Por inerência dos meus horários sou ouvinte de partes do programa da manhã e do final do dia. Não ficarão portanto surpreendidos se lhes disser que ao ir buscar a mais nova à escola, no final do dia, ouvia o programa “Já se faz tarde” onde existe uma rúbrica intitulada “A adivinha da Joana“. Para quem não conhece, a Joana Azevedo é co-apresentadora deste programa e diáriamente lança uma adivinha baseada num qulaquer (duvidoso) “estudo”, e a piada do jogo está nas tentativas do Diogo Beja, o outro co-apresentador, em adivinhar a resposta certa. Pronto, distrai o pessoal.
Ora hoje a adivinha foi a seguinte: “De acordo com um estudo, 41 anos é a idade média em que as pessoas dizem ser muito velhas para fazer uma coisa. O quê?” Se não ouviram o programa de hoje, acredito que vos passam pela cabeça respostas como: ter filhos, estudar, ter o primeiro emprego, sair de casa dos pais, ter o primeiro namorado(a), … Diria que algumas destas possíveis respostas são muito questionáveis, mas até admito que a maioria das pessoas pudesse ter respondido qualquer delas. Mas não.
A resposta correcta à adivinha de hoje era “dançarem em público”. What?!! Como assim? Às pessoas de 41 anos é esperado que não dancem à frente de outras pessoas? Não é apropriado? A sério?!
Não me vou alongar no que penso sobre este suposto estudo e do resultado do mesmo. Também nunca fui pessoa de me guiar por normas ou supostas etiquetas sociais. Mas se quisesse comentar teria aqui tema para impropérios e portanto, não seria adequado à minha provecta idade. Santa paciência!
Para terminar o dia em grande, tivemos hoje o assunto Sócrates e Companhia. Também não vou alongar-me até porque só a visualização do semblante vitorioso do personagem e a lembrança dos comentários que proferiu, é suficiente para sentir o estômago às voltas! Credo, que neura!!!
Resta-me tentar combater este estado de espírito e voltar ao meu registo natural. Vou ali meditar um bocadinho e entreter-me com qualquer coisa desprovida de conteúdo ou importância.
Salvou o dia a notícia que os séniores foram convocados para a vacinação na próxima semana, finalmente! Com a da AstraZeneca, claro.
Carla

Cucu ..
agora também vou te responder 😁
Escreves muito bem amiga Carla 😂😂
Os seniores são os teus pais ? Certo ?
Finalmente . Manda um grande beijinho da tua amiga alemã 😘😘😘
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Sim Simona. Os séniores são os meus pais que já foram vacinados hoje 💪
Eles também te mandam beijinhos.
E obrigada pelo elogio!
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